Mulher, negra, lésbica e favelada.

Eu não sou mulher, negra, lésbica ou favelada, mas isso não quer dizer que não esteja do lado das mulheres, negras, lésbicas e faveladas. Não podemos nunca ficar calados e caladas, homens e mulheres, independentemente de um problema nos afetar diretamente. Direitos humanos dizem respeito a todas e a todos.

Mulher, negra, lésbica e favelada

A interseccionalidade ajuda-nos a compreender que há pessoas que sofrem diferentes formas de violência. A interseccionalidade afeta principalmente as mulheres por ser uma forma de discriminação que cruza características como género, orientação sexual, origem racial e étnica, nacionalidade, idade, deficiência, religião. Marielle Franco além de ser mulher, negra, lésbica e favelada, era uma voz que lutava contra a opressão, que ousou falar e que por isso foi assassinada. Compreender de que modo as diferentes pessoas podem ser vítimas de diversas formas de violência é um exercício de empatia pelo outro e pela outra; empatia essa que gera união.

#MariellePRESENTE

Nestes momentos de forte impacto simbólico pode gerar-se uma força que pode e deve levar à mudança de sistemas opressores, e a união e concentração coletiva de esforços é uma vantagem. Custa-me ver causas separadas em vez de unidas. Perde-se a força, cria-se ruído, e os opressores alimentam-se disso também. As causas e as lutas são cumulativas. Por isso homens e mulheres, temos de nos juntar. As vigílias que se realizaram ontem por todo o país são uma prova disso. Eu não sou mulher, negra, lésbica ou favelada, mas alio-me à sua causa.