A igualdade de género é uma mariquice pegada. O lugar da mulher é em casa.

A igualdade de género é uma mariquice pegada. O lugar da mulher é em casa, a cuidar das crianças, a limpar e a cozinhar para o marido.

A Porto Editora errou ao colocar exercícios desnecessários de achar formas, pintar bonecadas, etc. O manual que se devia intitular “exercícios para meninas bem comportadas” devia conter brincadeiras com a vassoura e exercícios que as treinasse no sentido de aprender a deixar os cantos da casa imaculados e receitas simples. Porque há que ser justo, dos 4 aos 6 anos, uma menina não tem capacidade para confeccionar um cozido à portuguesa como deve ser, isso fica para outro manual.

Não haja confusão, a educação é fulcral para as crianças e não podemos enganar ou iludir as meninas. Não podemos deixá-las crescer a achar que têm os mesmos direitos que os homens. Onde é que se já viu isso?

Vamos logo direccionar a educação. Antes de mais, vamos segregar. Eles e elas são diferentes, logo nada de turmas mistas. Elas devem ir para aulas que desenvolvam as competências domésticas para quando acharem um marido que cuide delas, elas possam contribuir de volta com dedicação e submissão.

Acabado o sarcasmo

Acabado o sarcasmo, há que reconhecer uma coisa fundamental. A educação é realmente essencial para as crianças e para o futuro da sociedade, e a igualdade de género faz parte da mesma. Não há como dissociar uma coisa da outra. Se há portuguesas e portugueses que não concordam com a forma como a CIG agiu, estão no seu direito, mas não podem nunca reagir, na mesma moeda, contra a importância da igualdade de género.

Nunca ninguém disse que TODOS os exercícios eram diferentes, ou pelo menos não li isso. O que vi foi uma análise que concluía que havia alguns, repito alguns, exercícios diferentes, mas que na forma e conteúdo havia a presença de imagens e mensagens estereotipadas que restringiam o universo dos rapazes (e não meninos) às actividades mais dinâmicas, activas e de exterior, e as meninas (e não raparigas) a actividades relacionadas com o universo doméstico.

Houve uma recomendação por parte da CIG, é verdade. Essa mesma recomendação não pode ser reescrita por uma forma de censura. Censura havia no tempo do estado novo. Não confundamos propositadamente os dois termos.

A Porto Editora correspondeu, vamos acreditar que foi por reconhecer a importância e pertinência das recomendações.

Mas volto a insistir neste ponto. Uma coisa é não concordar como a CIG agiu. Outra é instrumentalizar isso para desvitalizar a importância da igualdade de género.

No vídeo do RAP, o próprio humorista reconhece a existência de estereótipos de género em ambos os manuais. Mas essa parte parece ter sido ignorada por algumas pessoas. Só para esclarecer que quem concorda a 100% com o RAP, está também a concordar com essa existência. Já agora recomendo que vejam a entrevista na Sic Notícias com a Teresa Fragoso, “Não é de menor importância o tipo de imagens que transmitimos às nossas crianças”.

Sobre o que falta fazer.

As vozes, comentários nas redes sociais, artigos de opinião, etc. comprovam a colossal falta de trabalho que há por fazer pela sociedade civil e estado.
Há muita confusão sobre a terminologia (género, sexo, igualdade, etc.) mas felizmente há documentação que informa e educa. Acredito que vamos ao encontro de uma sociedade equitativa, com igualdade de oportunidades para todas as pessoas. Mas que vai demorar algum tempo até lá, ou que pelo menos seja algo palpável.
Para quem se indigna com o facto de as mulheres ganharem menos que os homens pelas mesmas funções, a resposta passa pela educação.
Para quem acha que não devia ser necessário haver quotas, a resposta passa pela educação.
Isto para não me alongar pela violência de género, crimes sexuais, assédio, etc etc

Para terminar.

Quem quiser iniciar-se nestas matérias, leia pelo menos a página 2 do Parecer técnico da CIG, na qual são definidos alguns conceitos base como sexo, género e estereótipos de género.
Há documentação disponível também pelas diferentes associações que lutam pelos direitos das mulheres e igualdade de género. Eis algumas:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *